Monday, August 06, 2007

Blog

Este Blog fez dois anos em Agosto de 2005, aproveitando as férias, o Bissapa nasceu.

Foi mais um filho meu, depois dos Jornais, das Rádios. Estava aí a Blogosfera.

Tal como nos outros projectos, que ainda existem e estão vivos e de boa saúde, por falta de tempo o Bissapa tem estado meio abandonado. Vivemos hoje a vida a um ritmo que nos leva a abandonar o que gostamos em função, já não da sobrevivência, mas do mais. Vivemos hoje a um ritmo duas ou três vezes superior ao ritmo do antes. Basta o telemóvel para fazermos no mesmo espaço de tempo o que não era possível quando não tinha-mos este objecto de culto.
Vivemos hoje o tempo do não tenho tempo... tal como o poema que uma vêz aqui reproduzi da autoria de Neimar de Barros

Não Tenho Tempo
Sabe meu filho,
Até hoje não tive tempo para brincar com você.
Arranjei tempo para tudo,
Menos para ver você crescer.
Nunca joguei dominó, dama, xadrez ou batalha naval com você.
Percebo que você me rodeia,
Mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo...
Sou importante para números, convites-sociais,
Uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso para sentar no chão com você...
Não, não tenho tempo !
Um dia você veio com o caderno da escola para o meu lado,
Não liguei, continuei lendo jornal.
Afinal, os problemas internacionais
São mais sérios que os da minha casa.
Nunca vi seu boletim nem sei quem é sua professora,
Não sei nem qual foi sua primeira palavra,
Também, você entende... não tenho tempo...
De que adianta saber as mínimas coisas de você
Se eu tenho outras grandes coisas a saber?
Puxa, como você cresceu!
Você já passou da minha cintura.
Está alto!Eu não havia reparado isso.
Aliás, não reparo quase nada, minha vida é corrida,
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora.
E se uso aqui, perco-me calado diante da TV,
Porque a TV é importante e me informa muito...
Sabe, meu filho...
A última vez que tive tempo para você, foi numa cama,
Quando o fizemos!
Sei que você se queixa,
Que você sente falta de uma palavra,
De uma pergunta minha,
De um corre-corre,
De um chute na sua bola.
Mas eu não tenho tempo...
Sei que você sente falta do abraço e do riso,
Do andar-a-pé até a padaria para comprar guaraná,
Do andar-a-pé até o jornaleiro para comprar "Pato Donald",
Mas sabe, há quanto tempo não ando a pé na rua?
Não tenho tempo...
Mas você entende, sou um homem importante,
Tenho que dar atenção a muita gente,
Dependo delas...
Filho, você não entende de comércio...!
Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado,
Porque as poucas vezes que falamos é monólogo, só eu falo.
E noventa e nove por cento é bronca:
Quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente,
Você tem mania de querer pular nos braços dos outros...
Filho, não tenho tempo para abraçá-lo,
Não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança.
Filho,
O que você entende de computador, comunicação, cibernética,Racionalismo?
Você sabe quem é Marcuse, Mac Luan?
Como é que vou parar para conversar com você?
Sabe filho,
Não tenho tempo, mas o pior de tudo,
O pior de tudo é que...Se você morresse agora, já, neste instante,
Eu ficaria com um peso na consciência
Porque até hoje
Não arrumei tempo para brincar com você,
E na outra vida, por certo,
Deus não terá tempo de me deixar, pelo menos , vê-lo!

E o choque surgiu quando o "caçula" me disse -sabes eu gosto de ir de férias para a Avó. Ela tem tempo quando eu lhe peço para ver o que estou a jogar ou aquilo com que estou a brincar, não é como tu que continuas a ler...

Não tenho tempo...

Monday, March 19, 2007

Dia do Pai



Pai, tu sabes que esta é a mensagem que já não posso dar-te, de olhos nos olhos, mas também sabes que foi inspirada em ti e nos teus princípios de vida e de luta...





Saturday, December 23, 2006

Balanços de Natal

José Eduardo Agualusa nasceu no Huambo em Angola e vai escrevendo crónicas, contos e livros de sucesso. Agualusa brinca com as palavras como eu gosto de ver brincar. No seu último livro " Passageiros em Trânsito " principia assim o primeiro conto - Um ciclista - passado em Angola:

" O passado é como o mar: nunca sossega. As casas encolhem, como os velhos, ao passo que as árvores crescem sem parar. Quando regressamos, decorridos muitos anos, aos lugares da nossa infância encontramos árvores gigantescas e sufocando de terror à sombra delas as casas minúsculas que um dia foram nossas" ...

Para que se perceba a realidade das palavras eu ilustro...





Talvez por isto, eu gosto, da forma como Agualusa brinca com as palavras da mesma forma que gosto da forma (im) políticamente correcta com que outro amigo meu, Orlando Castro, nado e criado no Huambo, aborda os temas no seu Blog Alto Hama (altohama.blogspot.com) ou no livro que sobre o mesmo título escreveu e publicou e que me foi dedicado. Obrigado Orlando.

Em maré de agradecimentos, meu caro Jorge Deillot, neto do Camutar, filho do Huambo, e amigo do Himalaia, timoneiro desse grande centro de convívio de homens e mulheres bons que encontraram a meninice. Só a tua vontade e amizade, fez com que eu tivesse acesso às fotos que ilustram este texto e outras, como esta, da loja do meu pai

e que permitiram reconstruir parte do meu passado e das minhas raízes.

Só quem viveu guerras e abandonou passados, consegue saber a importância da memória e das ilustrações que lhe podem dar corpo.

Por isso em tempo de Natal, terei que agradecer as prendas que estes três "Passageiros em Trânsito" me deram em 2006.

Natal é presença e estas prendas foram e serão presenças de vida

Kandus

Friday, November 03, 2006

Neves e Sousa


Neves e Sousa , era um cidadão de Angola, de toda a Angola. Ontem ia a entrar na Câmara de Oeiras e a sair vinha uma velha conhecida, a mulher do Albano, que vive na Baía.

Parei para a cumprimentar, por aqui ???

Sim, acabei de assinar um protocolo com o Dr Isaltino. O acervo de Albano Neves e Sousa, vem para Oeiras, os quadros, os álbuns de desenho, os poemas e os escritos, vão cá ficar.

Fiquei feliz, com Neves e Sousa aprendi a gostar de pintura e, a minha terra vai ficar mais perto da terra minha.

Vou poder ver Neves e Sousa quando me aprouver, quando até, não me apeteder.

Oeiras tem uma larga população africana que ajudou a integrar, talvêz este possa ser o princípio de algo de grande, de cultura e etnografia africana em Oeiras.

Basta sonhar

Thursday, August 31, 2006

Aniversários

Agosto sempre foi para mim um mês especial, faço anos, estou normalmente de férias, o tempo está bom e cheirava, antigamente, a chuva.

Noutros fins de cacimbo, era certo, no Huambo chovia dia 15 de Agosto, e nesse dia havia salalé a esvoaçar e cheiro a terra molhada.

Vinha o tempo do calor e da chuva que fazia crescer as flores, as acácias, os jardins, eu mostro



Na minha casa que estava assim...

E Agora está assim

Não adianta sequer perguntar porquê ? e quem aproveitou ????

Mas Agosto lembra-me também as corridas, as 6 horas e não tendo fotos de lá, tenho de cá, do troféu dos clássicos no autódromo em Julho, que mesmo sendo de borla, estava às moscas, mas os minis, os seven, os porche, os marcus, estavam lá e eu também a recordar...

Curioso é que choveu a 15 de Agosto, cá , mas não cheirou a chuva nem se iniciou um outro ciclo... A estação das chuvas

Thursday, August 03, 2006

Dias tristes

Na altura que mais precisava de pensar, quando hesitava em mudar de vida ou não, coloquei aqui no blog o " Papo-Furado " com a foto da " nossa" tartaruga.

O Bichinho, aproximava-se da borda quando nos chegáva-mos perto e adorava sentir o calor da palma da mão.

No outro dia ficou " meia mole " e o meu candengue disse-me...

Pai:
"Amanhâ não vais logo para o trabalho, vamos ao veterinário...LOGO DE MANHÂ, OUVISTE !!!"

"É uma vida pequenina, mas é uma vida..."

Acedi, mas de manhâ...
era demasiado tarde.

Adeus, comapanheira


Saturday, July 01, 2006

Estamos Quites

Quando pisei terras Lusas, confesso, tive alguma simpatia pelo C.D.S. Cheguei a assumi-lo no Barreiro onde era difícil faze-lo. Algum tempo depois, Freitas, do Amaral, assumiu o bloco central, na minha opinião em contra natura.

Afastei-me então, achei que não fazia sentido.

Mais tarde, Freitas foi candidato a presidente e, durante quinze dias quase não fui à cama, tinha a responsabilidade dos stands de engenharia montados na FIL dos " Jovens por Portugal". Perdemos por um estádio de futebol e a derrota custou muito.

Freitas foi rodando, da direita para a esquerda, foi pela regionalização, por isto, por aquilo, contra natura mais uma vêz.

Depois assumiu-se como ministro de um governo socialista. Esta cansado, notava-se, até que percebeu que este nunca poderia ser o seu governo, defender a sua política, impor as suas ideias...

Saiu agora, na minha opinião pela porta pequena, por onde os grandes políticos não podem sair. Freitas, um homem de estado, um homem inteligente, seguiu quimeras e, por isso matou o CDS e passou ao lado de uma carreira política que poderia ter sido brilhante.

Freitas e eu, seguimos quimeras, ele as dele eu a sua candidatura a Presidente da Républica, eu perdi, ele também...

Estamos quites.


Desenho de Marco