Sunday, November 22, 2009

Jorge Ferreira

Durante anos o Blog do Jorge Ferreira - Tomar Partido - esteve ligado ao meu. Nele a 19 de Novembro esse companheiro de viagem publicava ...

"O Governo vai apresentar um Orçamento de Estado rectificativo para 2009, cujo défice estará calculado em 8% do produto interno bruto (PIB), de acordo com as declarações de Teixeira dos Santos no final do Conselho de Ministros de hoje."

Hoje soube, mais tarde do que o devia que o Jorge para a última morada em Oeiras.

Adeus companheiro

Fim de Semana


Vendo o Fim de Semana passar

Saturday, November 14, 2009

Estórias Abensonhadas

Hoje tive tempo para ler Mia Couto. Contos pequeninos como o do "Bebedor do Tempo" em que escreve...

" - Estou à espera de uma certa mulher, é uma que não cabe neste mundo.

- Mas bebendo assim ?, se atreviam a querer saber.

- O que estou bebendo não é cerveja. Estou bebendo é o tempo, a ver se ela não demora tanto "

Há dias assim...

Wednesday, November 11, 2009

Angola

O meu irmão de peito, Orlando Castro, publicou ontem no seu blogue ( Alto hama ) o post que agora transcrevo...


A minha terra, Angola, comemora amanhã 34 anos da sua independência de Portugal e também 34 anos da sua dependência do MPLA.


Não sei se ter memória é, nos tempos que correm, uma qualidade. Creio que não. Alguém disse que quem estiver sempre a falar do passado deve perder um olho. No entanto, acrescentou que quem o esquecer deve perder os dois...

Tal como o Papa Bento XVI recordou recentemente, em Luanda, perante quase um milhão de fiéis, as “consequências terríveis” dos 27 anos de guerra civil em Angola, lamentando que esta seja “uma realidade familiar”, apetece-me hoje recordar também algumas coisas... a propósito da (in)dependência do meu povo.

Recordar, em homenagem às vítimas, o massacre de Luanda, perpetrado pelas forças militares e de defesa civil do MPLA, visando o aniquilamento da UNITA e cidadãos Ovimbundus e Bakongos, e que se saldou no assassinato de 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.

Recordar, em homenagem às vítimas, o massacre do Pica-Pau em que no dia 4 de Junho de 1975, perto de 300 crianças e jovens, na maioria órfãos, foram assassinados e os seus corpos mutilados pelo MPLA, no Comité de Paz da UNITA em Luanda.

Recordar, em homenagem às vítimas, o massacre da Ponte do rio Kwanza, em que no dia 12 de Julho de 1975, 700 militantes da UNITA foram barbaramente assassinados pelo MPLA, perto do Dondo (Província do Kwanza Norte), perante a passividade das forças militares portuguesas que garantiam a sua protecção.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de mais de 40.000 angolanos terem sido torturados e assassinados pelo MPLA em todo o país, depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de, entre 1978 e 1986, centenas de angolanos terem sido fuzilados publicamente pelo MPLA, nas praças e estádios das cidades de Angola, uma prática iniciada no dia 3 de Dezembro de 1978 na Praça da Revolução no Lobito, com o fuzilamento de 5 patriotas e que teve o seu auge a 25 de Agosto de 1980, com o fuzilamento de 15 angolanos no Campo da Revolução em Luanda.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de no dia 29 de Setembro de 1991, o MPLA ter assassinado em Malange, o secretário Provincial da UNITA naquela Província, Lourenço Pedro Makanga, a que se seguiram muitos outros na mesma cidade.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de nos dias 22 e 23 de Janeiro de 1993, o MPLA ter desencadeado em Luanda a perseguição aos cidadãos angolanos Bakongos, tendo assassinato perto de 300 civis.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de em Junho de 1994, a aviação do MPLA ter bombardeado e destruido a Escola de Waku Kungo (Província do Kwanza Sul), tendo morto mais de 150 crianças e professores.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de entre Janeiro de 1993 e Novembro de 1994, a aviação do MPLA ter bombardeado indiscriminadamente a cidade do Huambo, a Missão Evangélica do Kaluquembe e a Missão Católica do Kuvango, tendo morto mais de 3.000 civis.

Recordar, em homenagem às vítimas, o facto de entre Abril de 1997 e Outubro de 1998, na extensão da Administração ao abrigo do protocolo de Lusaka, o MPLA ter assassinado mais de 1.200 responsáveis e dirigentes dos órgãos de Base da UNITA em todo o país.

Recordar alguém que no dia 24 de Fevereiro de 2002 disse: «sekulu wafa, kalye wendi k'ondalatu! v'ukanoli o café k'imbo lyamale!» (morreu o mais velho, agora ireis apanhar café em terras do norte como contratados.)

Recordar alguém (Jonas Savimbi) que dizia: «Ise okufa, etombo livala» (Prefiro antes a morte, do que a escravatura).

Mesmo como Angolano nunca me tinha apercebido do número de mortes nos diversos massacres e também não me lembro de ter visto esta notícia na agenda política. Por publicar textos destes o meu irmão de peito será certamente persona não grata em Angola e por publicar textos do mesmo estilo foi afastado do JN - o grande jornal do Porto. Ficou pelo menos no clube dos distintos como o José Manuel Fernandes, o Carlos Narciso, o Emídio Rangel entre outros

Thursday, October 08, 2009

Esquecimento

Um país que esquece o passado, não pode ser uma terra de futuro...

Augusto Cabrita
Manuel Cabanas
José Afonso
Francisco Fanhais
Adriano Correia de Oliveira
Adelino Amaro da Costa
Francisco Sá Carneiro
Soeiro
Eça...
Vieira da Silva


Só alguns que me vieram à memória de entre os mortos, porque dos vivos nem se fala


Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontesde água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhose em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar
aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tantoque não vai haver menina p'ra sobrar

Pedro Barroso

Friday, July 17, 2009

Barreiro

Hoje vi uma fotografia do Alentejo, um dos barcos que fazia a travessia Lisboa Barreiro e apeteceu-me voltar a atravessar o Tejo.

Friday, June 19, 2009

Poiiiissss, agora dói

O voto é secreto", foi como José Carlos Pereira respondeu ao Expresso sobre se tinha votado a favor ou contra o pré-acordo celebrado pela Comissão de Trabalhadores (CT) com a administração da Autoeuropa. Membro do Comité Central do PCP e dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul, largamente maioritário na empresa, é o líder da tendência comunista da CT.
Nos dois plenários realizados na segunda-feira, dia 15, para esclarecer os mais de três mil empregados da empresa, foi António Chora, o coordenador da CT e militante do BE, quem expôs e defendeu os termos do pré-acordo. Já o dirigente comunista José Carlos Pereira, falando em nome dos três membros da sua tendência na CT, optou pela ambiguidade: o pré-acordo, não sendo mau, não deixaria de constituir uma perda de direitos adquiridos e uma abertura para coisas piores e mais sábados no futuro...
Mais clara foi a intervenção de um dirigente da Fiequimetal (a mais importante federação da CGTP), Joaquim Escoval; este sindicalista, que também é autarca da CDU na Moita, manifestou sérias reticências ao pré-acordo, especialmente porque representaria a criação do chamado "banco de horas" - uma solução contemplada no actual Código do Trabalho, mas sempre rejeitada pela CGTP. Chora, que anunciou que iria votar a favor, acentuou que a fábrica de Palmela era a única unidade da Volkswagem em todo o mundo que não possuía um banco de horas. UGT a favor, CGTP contra
No final dos dois plenários - um por cada turno e que encheram por completo o refeitório da empresa -, Licínio Barros, o único membro da CT que pertence a um sindicato da UGT, começou a "ter algumas dúvidas" que o resultado do referendo fosse favorável. Está certo, porém, que "a esmagadora maioria dos sócios do meu sindicato, o Sindel, votou a favor". O acordo referendado previa a redução do pagamento do trabalho extraordinário em seis sábados por ano. A votação decorreu na quarta-feira e por uma diferença de 129 votos os trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o pré-acordo: 1381 votos contra e 1252 a favor, numa massa de votantes de quase 90 por cento.
Este resultado "era expectável", afirma o sindicalista comunista José Carlos Pereira. "Há um grande descontentamento na empresa com toda a pressão e chantagem feita sobre os trabalhadores, que têm feito grandes cedências e estão fartos de ver os seus direitos afrontados". Este dirigente dos Metalúrgicos admite que "muitos dos associados do meu sindicato votaram contra". Lay-off e dispensa de 150 contratados a prazo
A este sindicato pertence António Chora, que já foi deputado do BE e que, à frente da CT, comunicou no dia 18, à administração, os resultados da votação. À falta de acordo, a empresa limitou-se a informar que divulgará na próxima semana as medidas que irá tomar unilateralmente, tendentes a reduzir os custos de fabrico. Antes das negociações, recorda Chora, o que estava na agenda da empresa era o recurso ao lay-off, a fixação dos turnos (com a perda do respectivo subsídio) e a dispensa de 250 contratados a prazo. Licínio Barros, da UGT, lamenta o sucedido e refere que "a redução do trabalho extraordinário ao sábado significava, na pior das hipóteses, uma perda de € 170 por ano por trabalhador. Se vier a ser aplicado o lay-off, aquela perda será de € 250 por mês!"
Não é a primeira vez que um acordo laboral na Autoeuropa é chumbado em referendo. Foi o que sucedeu em 2005, com o acordo a ser renegociado e, submetido a nova votação, aprovado. A repetição deste cenário é posta de parte por António Chora. "Neste acordo não há nada para renegociar e os trabalhadores têm de assumir as suas responsabilidades". Chora afasta igualmente a possibilidade de uma demissão da CT, perante o voto contrário da maioria dos efectivos da fábrica. "Não se justifica, até porque haverá eleições para a CT em Março. Uma demissão seria deixar os trabalhadores ao deus-dará".

In Expresso

Parece que alguém não percebeu que não poderia haver terceira votação. Alguém convenceu os trabalhadores que as paredes se afastam quando vamos contra elas. Alguém se esqueceu de comunicar que a proposta da empresa era um pacote fechado. Alguém se esqueceu que podemos sempre escolher mas que as escolhas têm consequências